Curso de Tecnologia

Muita gente pensa que o curso tecnológico é um curso de nível técnico.
Não é. Por lei, o curso tecnológico tem nível superior – embora sua duração seja de 1 ano e meio a três anos.
Seu objetivo é o de formar especialistas em determinadas áreas.

“Mais de 10% dos alunos matriculados em cursos superiores no Brasil já estão fazendo cursos tecnológicos.
É uma explosão, realmente. Hoje, estamos passando por um apagão de mão-de-obra. Temos uma falta de profissionais especializados para os próximos anos.
O curso tecnológico forma o profissional mais rapidamente para o mercado de trabalho“.

Essa é a parte clara da questão.
Agora, vamos à zona cinzenta. Muitos tecnólogos reclamam que as empresas, ao selecionar os candidatos, não estão dando ao tecnólogo o mesmo valor que dão ao bacharel.

O professor Fabiano Caxito fez uma pesquisa em 350 empresas de São Paulo para investigar a aceitação do tecnólogo no mercado de trabalho:
“Existe ainda um grande desconhecimento por parte do profissional de recursos humanos sobre o que é o curso tecnológico”, aponta.

Na disputa conta um candidato que estudou em uma faculdade convencional, às vezes o tecnólogo sai perdendo.

Se os dois candidatos não tiverem nenhuma experiência profissional anterior, ainda há uma escolha pelo bacharel”, diz o professor Fabiano Caxito.

O curso de tecnólogo não é recomendável para quem está há muito tempo em uma área e deseja partir para outra área, completamente diferente.
Por exemplo: alguém trabalhou sete anos na área financeira e quer fazer um curso de gestão de marketing.
Em uma situação assim, o diploma pesará pouco, porque a empresa sempre dará preferência a candidatos com experiência anterior em marketing.

O curso de tecnólogo também não é recomendável para jovens que estejam em dúvida quanto à carreira que desejam seguir.
Nesse caso, o curso iria reduzir o leque de opções futuras de emprego.
Seria melhor o jovem optar por um curso mais generalista, como economia ou administração.

Mas o curso tecnológico é altamente recomendável para quem já desempenha uma determinada função e deseja saber mais sobre ela.
Aí sim o diploma vai se somar à experiência prática e melhorar muito o currículo.

É o caso de Maurício Alves e Eduardo Duarte.
Os dois já eram técnicos em mecânica, estavam empregados e resolveram se especializar na Fatec.
Hoje, ocupam cargos importantes em uma indústria de autopeças de Sorocaba.

Sou responsável por uma linha de usinagem dentro da empresa”, conta Maurício Alves.

Durante o curso, tive a oportunidade de viajar duas vezes para Europa e Canadá.
A grande maioria dos meus colegas está empregada.
Quem não está em empresa privada, hoje trabalha por conta própria e está muito bem”, comenta Eduardo Duarte.

Finalmente, existem cursos tecnológicos bons e outros não tão bons.
Por isso, primeiro, o interessado deve verificar se o curso é reconhecido, no site do Ministério da Educação.
Depois, deve avaliar se a instituição de ensino tem renome no mercado de trabalho. Isso também pesa bastante.
Acho que a aceitação do curso tecnológico vai aumentar muito”, aposta Fabiano Caxito.

Foi a melhor decisão possível. Eu estava no lugar certo, na hora certa, com o curso certo nas mãos”, avalia a tecnóloga em saúde Amanda de Oliveira.

Em resumo, a diferença entre um curso superior de cinco anos e um curso tecnológico é o tamanho do alvo.
No mercado de trabalho, quem faz um curso mais longo poderá mirar em vários setores do alvo.
Quem faz o curso tecnológico terá que acertar na mosca.